A recusa do patrimônio: oralitude e tutela estatal no terreiro de candomblé Kupapa Unsaba (Bate Folha), Rio de Janeiro

Foto: Acervo Memorial Kupapa Unsaba (Bate Folha)
A pesquisa propõe analisar os tensionamentos entre as formas institucionais de patrimonialização e os modos autônomos de preservação da memória no terreiro de candomblé de matriz Congo-Angola localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. O ponto de partida da análise é a decisão política de Mam’etu Mabeji de recusar o processo de tombamento pelo IPHAN, gesto interpretado não como negação da memória, mas como afirmação de soberania sobre os próprios modos de existência, transmissão e salvaguarda dos saberes do terreiro. A pesquisa tem como diálogo as críticas ao “poder tutelar” do Estado, evidenciando como políticas de preservação podem impor categorias externas que desconsideram as dinâmicas internas dos terreiros, especialmente no que diz respeito aos segredos e à autoridade ancestral. Ao recusar a legibilidade estatal, o terreiro afirma outras epistemologias de memória, baseadas na autonomia, na continuidade e na coletividade.
