3ª Leituras do NESP

Dia 20 de maio, terça-feira, das 9h às 12h, ocorreu a 3º sessão aberta de Leituras NESP.

A obra escolhida foi “Decolonizar o museu: programa de desordem absoluta” (Ubu Editora, 2023), de Françoise Vergès. A sessão comentou em especial a Introdução e o Capítulo 3 – Louvre, Napoleão, confisco, escravo.

Tomando o Louvre como exemplo de práticas de pilhagem e saque, a cientista política Françoise Vergès critica o “modelo do museu universal” constituído durante a Revolução Francesa e o período napoleônico e retomado pelo colonialismo francês. Embora seja apresentado como espaço singular de preservação de “todo o conhecimento e todas as artes”, a autora propõe que esse modelo opera como um dispositivo moderno de poder que transforma objetos e saberes expropriados em signos de um universalismo racializado. Sua investigação percorre as tramas econômicas que sustentam a lógica de monumentos e instituições museais de viés universalista, como os bancos envolvidos no tráfico de pessoas escravizadas e na imposição da dívida haitiana. Ao explicitar os nexos entre arte, expropriação, instituições de poder e acumulação, Vergès defende a desorganização da memória colonial ainda inscrita no patrimônio europeu e expande o debate sobre políticas de participação, reparação e devolução.

Dinamizadores da sessão:

Sylvia Bomtempo, mestra pelo PPGSA/UFRJ e Analista de Políticas Públicas no IDS Brasil. Pesquisa práticas de poder que institucionalizam narrativas sobre eventos históricos, transformando-os em conhecimento e/ou memórias públicas.

Vitor Ferreira da Silva, Professor I de Sociologia na SEEDUC e doutorando no PPGSA/UFRJ. Pesquisa os arranjos financeiros e institucionais entre a administração pública do Rio de Janeiro e o Banco Mundial na concepção das políticas de resiliência nas agendas urbanas.

Mediação: Roberta Guimarães, professora DAC e PPGSA/UFRJ.

Local: PPGSA/IFCS/UFRJ, Sala Azul (entrada pela Sala 420). Largo de São Francisco de Paula, 1, Centro – RJ.