Entre Conflitos Fundiários e Burocracias Estatais: a gestão patrimonial do território Enawene Nawe

Terra Indígena Enawene Nawe (Rio Juruena).
Imagens ©2026 Airbus, Maxar Technologies. Dados do mapa ©2026 Google. Acesso em 20 de abril de 2026.
A pesquisa discute a gestão estatal de povos e territórios classificados como tradicionais em contextos conflitivos. Nesta investigação, a análise das políticas de patrimônio cultural figura como uma escolha metodológica estratégica de entrada no campo das tramas do Estado. A partir desse enfoque, o trabalho investiga a patrimonialização do ritual Yaokwa, do povo Enawene Nawe, ao analisar a atuação da burocracia estatal e internacional (Iphan e Unesco) em contextos de conflitos fundiários estruturais. A premissa central postula que a máquina administrativa, por meio de seus instrumentos técnicos, relatórios de salvaguarda e fluxos financeiros, opera como uma tecnologia de governo e de ordenamento territorial. Simultaneamente, o estudo analisa o modo como as coletividades indígenas instrumentalizam as lógicas dessa mesma burocracia e se engajam nas instâncias oficiais por meio da apropriação tática de espaços institucionais, para garantir a manutenção de seus modos de vida e enfrentar as contínuas pressões sobre suas terras. Metodologicamente, a investigação fundamenta-se na etnografia indiciária de arquivos estatais e aborda os documentos processuais como artefatos etnográficos. As perspectivas relativas à agência indígena e às práticas institucionais são analisadas no âmbito dos debates teóricos sobre a Antropologia do Estado, o histórico das políticas indigenistas de tutela no Brasil e as estratégias contemporâneas de territorialidade e recuperação territorial.
